Não, ele não entendia o que se pensava ao seu respeito, até porque não se pensava nada de contorno firme, de conteúdo denso. E ela não sabia o que pensar exatamente. Porque as coisas estavam estranhamente no mundo sem uma razão de ser, sem uma utilidade prática. Não, ele não prometia nada, porque na verdade esse mundo não era o de promessas. Nem ela prometia. Ambos tinham aquele ar indagador, como quando se vê um campo grande numa área livre, e se pensa por que existe aquela consistência toda na terra, e principalmente, se tem uma sensação forte de inércia, confirmando que o mundo gira tanto quanto se bate pestanas. Então há um acordo sobre como passar o tempo. E então o resto é secundário. E então esquecemos, ou fingimos esquecer o acordo, e é aí que o secundário se torna mais importante. E parece hipocrisia esse esquecimento. Mas ele abre espaços na própria mente como quem abre uma plantação com uma faca. De repente, surpreende. É assim que de repente, ele abre uma janela e tira o ar opressivo da sala. Mas essas promessas não são para este mundo. Antes, ele faz parte de um sonho quente, do qual se acorda suada. Coisas que não dizemos por acharmos que se tratam de mentiras. Brincadeiras de crianças cobertas de maldade. E nunca se preocupar com a leviandade. Saber em qual exato momento se tornar um animal de olhar ignorante e agressivo. E romper os aços desse ambiente com um choro absurdo, igualmente confuso, e igualmente desprovido de razão, ainda que cheio de si. Não, essa menina não sabia o que sentir. Às vezes, se notava calculando os atos, e se percebia tola demais, vazia demais, absurda demais, deserta do pé à cabeça. Muita coisa se atravessa no caminho sem um aviso prévio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário